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segunda-feira, 23 de março de 2015

Agentes do Irã lamentaram saída de ministra da Segurança.

O libanês Khalil e o espião argentino Allan demonstraram preocupação com a saída de Nilda Garré do ministério, mostra grampo feito pelo procurador Alberto Nisman, morto em janeiro

Mahmoud Ahmadinejad, Hugo Chávez e Cristina Kirchner(Morteza Nikoubazl/Reuters;Jorge Silva/Reuters; Alberto Pizzolia/AFP)
A ex-terrorista motoneira Nilda Garré é a peça-chave para investigar as relações delituosas estabelecidas entre Argentina e Irã, com o intermédio da Venezuela, conforme revelou VEJA em reportagem exclusiva publicada na edição desta semana.
Segundo os ex-chavistas entrevistados pela reportagem de VEJA, Garré era um dos elos das negociações entre os três países. Em 2007, quando o então presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad pediu a Hugo Chávez que intermediasse uma aproximação de seu país com o governo argentino, Nilda Garré era ministra da Defesa. Além da retirada da denúncia contra os iranianos acusados de envolvimento no atentado contra a Associação Mutal Israelita Argentina (Amia), Ahmadinejad estava disposto a pagar pelos segredos nucleares argentinos. Uma questão que ele definia como de "vida ou morte" para o regime iraniano. Como titular da pasta, Garré, que havia sido embaixadora da Argentina em Caracas, era a interlocutora com seus pares na Venezuela e em Teerã sobre este tema.
Na denúncia apresentada pelo procurador Alberto Nisman, em janeiro passado, Garré é citada em uma das conversa grampeadas entre dois agentes do Irã. O libanês Jorge Alejandro Khalil queixava-se da saída de Nilda Garré, que, em 2013, era titular da pasta da Segurança. O diálogo gravado com autorização da Justiça argentina revela que Khalil temia que a saída de Nilda atrapalhasse os interesses do Irã. Ele conversa com o agente da inteligência argentina Ramón Allan Bogado, investigado por Nisman por passar informações ao governo iraniano.
Os demais personagens citados no grampo são: Sergio Berni, Secretário de Segurança da Argentina; Cesar Milani, Comandante do Exército; e Fernando Pocino, espião argentino que foi genro da embaixadora Garré.
Khalil - Duas coisinhas... Como você vê a mudança que ocorreu no governo? A saída da mulher (em referência a Nilda Garré)
Allan - Não houve mudança.
Khalil - Como não? Não tiraram os ministros?
Allan - Mas houve mudança de nomes, não de situação.
Khalil - Não, não, mas a mudança de nome, especialmente o da garota (Nilda Garré), como você vê?
Allan - Para nós, de dentro, onde eu trabalho é complicado. Para eles, onde estão, dá no mesmo, o que estava trabalhando era o Louco (em alusão a Sergio Berni).
Khalil - Ah, ok... amanhã , quero uma conversa com você por algum momento.
Allan - Sim, sim. Eu te digo claro, o Diretor de Interior nosso estava porque é namorado da filha da senhora que se foi… (Referência a Fernando Pocino)
Khalil - Sim. Mas você acredita que a tiraram ou ela se foi? Pergunto isso concretamente...
Allan - Ah, porque agora vem um assunto interno. Ela estava com seu amigo Milani, que tem uma inteligência paralela... Por causa do assunto da Polícia Aeroportuária.
Confira o áudio da conversa gravada:


Mahmoud Ahmadinejad, Hugo Chávez e Cristina Kirchner

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